Publicado em 13.07.2018 às 10:28

Um país melhor se forma na escola

Todos sabem e falam sobre a necessidade inadiável da consolidação de uma cultura de valorização da educação, partindo-se da premissa que um país melhor se forma na escola. Reconhecida por sua larga experiência no campo educacional, a professora de História Terezinha Roque traz novas contribuições para o Educação em 1o Lugar, projeto do Instituto São Leopoldo 2024 e Grupo Sinos que pretende expandir a conscientização sobre a realidade do ensino nos 52 municípios integrantes dos quatro Coredes (Conselhos Regionais de Desenvolvimento), disseminar práticas docentes até 2024, ano do Bicentenário da Imigração Alemã.

Segundo Terezinha, um olhar para "os mil oitocentos", retrata a importância da educação para os imigrantes alemães. A escola era junto à igreja, a mais importante edificação da comunidade. "Os desafios para quem chegava ou já habitavam foram homéricos. Enfrentaram, resolveram, consolidando as condições para o desenvolvimento da região, com um olhar atento pela qualidade da educação", observa ela, que no currículo acumula especialização em História Social da Cidade.

Na caminhada, o tempo reduziu, o espaço se dilatou e a má qualidade da educação básica é cada vez mais difícil de aceitar. Para ela, a não priorização da educação de qualidade embaralhou o fazer pedagógico e, por consequência, independente dos mais variados indicadores e dos diferentes processos de avaliação em âmbitos regionais, nacionais e internacionais, os resultados são sofríveis. 

"Os diagnósticos costumam ser renitentes quanto a investimentos nos espaços escolares, na
valorização de professores, os currículos são inadequados, os recursos disponibilizados não são suficientes, os alunos não parecem interessados, as condições familiares e socioeconômicas não contribuem para uma participação efetiva dos pais na vida escolar dos alunos, entre outros tantos pontos que poderiam ser citados."

O NÓ

E isso se dá em um cenário onde o acesso à educação básica é garantido.  "O nó está na qualidade, cujos antigos critérios já não são suficientes", relata. Entretanto, afirma que, apesar de diferenças de contexto do ontem e do hoje, existem características comuns, especialmente na região.
Estas perpassaram o tempo e permitem afirmar que existe, sim, educação de qualidade, ilhas de excelência em alguns municípios.

Modelos que poderiam ser multiplicados para a consolidação de resultados promissores em toda a região. Para isso, cita ser necessário que as escolas deixem seu casulo e compartilhem as boas práticas pedagógicas, pois mais do que nunca é importante dar visibilidade ao sucesso do aluno, do professor, da escola... "A valorização e credibilidade na educação passa pelo conhecimento do que a sociedade sabe sobre o que acontece na escola", afirma.

QUEM É TEREZINHA ROQUE

• Formada em História e pós-graduada em História Social da Cidade

• MBA Gestão Pública e Gerência de Cidades

• Diretora de escola estadual

• Professora da educação básica nas redes privada e estadual de ensino

• Conselheira do Conselho Deliberativo da Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha

• Secretária de Educação e Cultura em Campo Bom e Estância Velha

• Coordenadora da 2a Coordenadoria da Educação de São Leopoldo

BOAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS

Cientes da função social, o Instituto São Leopoldo 2024 e Grupo Sinos, através do Educação em 1o Lugar, querem multiplicar e compartilhar modelos de sucesso nos 52 munícipios que integram o projeto.
Assim, uma das ações previstas é a divulgação das boas práticas pedagógicas, envolvendo os 5o e 9o anos do Ensino Fundamental e com foco no desenvolvimento de competências.

Embora os alunos alcancem resultados esperados nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o desempenho tem ficado aquém nos anos finais, conforme o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
"Esta nova ação se concentrará nos anos citados acima", afirma Terezinha Roque, acrescentando que o foco articula-se com a avaliação MEC-Ideb, Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e avaliações internacionais.

COMO PARTICIPAR

• O quê: Boas Práticas Pedagógicas

• Público-alvo: 5o e 9o anos do Ensino Fundamental

• Foco: Desenvolvimento de Competências

• Contato: Se sua escola tem um case de sucesso entre em contato com Airton Schuch pelo email acesso@sinos.net

Sozinha, escola não dá conta

Enfática ao dizer que a escola sozinha tão pouco dará conta das demandas, Terezinha Roque explica que é necessário propor ações simples, exequíveis e condições educativas que envolvam a todos (Poder Público, professor, aluno, família e sociedade).  "Se tivermos essa interação, certamente teremos competências e com a inovação formaremos melhores cidadãos/cidadãs e profissionais de qualidade, todos abertos para as novidades", argumenta.

Como exemplo cita o Global Teacher Prize, o mais prestigiado prêmio na área da educação que premiou a simplicidade em março deste ano. A ganhadora foi a professora inglesa Andria Zafirakou. Perguntaram a ela e aos demais concorrentes (incluindo um brasileiro) o que fizeram para chegar a essa condição. Todos provaram que o caminho para excelência - mesmo neste século de tantas chacoalhadas no modo de produzir e absorver conhecimento - passa por ideias simples, bem executadas e que não demandam invencionices e nem muitos recursos como tanto se apregoa. A matéria destaca o que esses professores (selecionados entre os dez melhores do mundo) têm a dizer sobre as práticas na escola.
Veja a seguir:

• Não existe aula de habilidades sócioemocionais, expressão que está na moda para referir-se à colaboração, resiliência, criatividade. Elas devem ser incentivadas o tempo todo em todas as disciplinas.

• O aluno nunca deve ficar no ponto morto. Desafie-o sempre com uma tarefa um pouco mais difícil.

• Pais não substituem professor, mas se conhecem o que se passa na escola, podem dar incentivos que faz a grande diferença.
Cativar as novas gerações exige o uso benfeito de novas mídias e ferramentas. Acabou-se a era da lousa e começou a era dos tablet, da construção de protótipos, da exploração ao ar livre.

• A avaliação dos professores pelos estudantes é um hábito essencial para que os professores ajustem e lapidem suas aulas.

• O currículo dá o norte à aula, mas precisa ser usado com flexibilidade e inteligência. 

• Atenção individualizada, estando o mais acessível possível nos meios de comunicação. Dar retorno ao aluno sobre seus avanços e dificuldades.

• O professor não pode viver em uma bolha. Deve trocar ideias com os colegas.

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Publicado em 18.06.2018 às 09:49

Educação lapidada para a excelência

A técnica do bonsai tem como objetivo criar uma composição das formas das árvores em vasos pequenos. Mas o que isso tem a ver com a educação? Tudo!  O exercício de educar é comparado à arte de cultivar bonsai, em que vai se lapidando os galhos para que as folhas possam ir para a direção desejada. Assim é na pequena Picada Café, uma cidade com 5.434 habitantes, que extrapola a média brasileira do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e detém o título de melhor educação do Rio Grande do Sul desde 2007, conforme o Índice de Desenvolvimento Sócio Econômico (Idese). Avaliações que sustentam seu posicionamento como líder em excelência no ensino.

Com a convicção de que a educação é um processo, o Município busca aprimorar cada vez mais suas ações para seguir no topo da qualidade no ensino. “A educação é como uma estalactite, gotejando todos os dias para a formação ou transformação de sua estrutura”, afirma o secretário de Educação e Cultura, o professor Marcelo Marin, acrescentando que os resultados dependem do tripé administração pública, escola e comunidade.

Picada Café sempre investiu muito em educação. Em 2015, 29,24% do Orçamento total do Município foi aplicado nesta área. Percentual que subiu para 30,21% em 2017 e deve chegar a 33,15% neste ano. “Estamos sempre ajustando, repensando, refazendo e planejando diferente. O que faz a educação acontecer é o pensamento cooperativo. Nada acontece pela vontade somente de um secretário ou de um prefeito se lá na ponta não existir o comprometimento e o engajamento coletivo”, frisa o prefeito Daniel Rückert.

Exemplos como o de Picada Café referendam a vocação do projeto Educação em 1º Lugar, iniciativa lançada pelo Instituto São Leopoldo 2024 e Grupo Sinos em janeiro deste ano. O movimento foi criado justamente para captar novas ideias, trocar experiências e instigar  compartilhamento de cases de sucesso, fundamentais para a melhoria dos indicadores escolares nos 52 municípios dos Coredes Rio dos Sinos, Caí, Paranhana/Encosta da Serra e Região das Hortênsias, mais Cachoeirinha e Gravataí.


Modelo: prefeito Daniel Rückert e o secretário de Educação Marcelo Marin primam pela educação de resultados

Crédito foto: Marco Dieder/PM Picada Café

Todos na escola

Com 942 alunos em cinco escolas públicas – duas de ensino infantil, duas de ensino fundamental e uma de ensino médio estadual –, Picada Café se orgulha em ter todas as crianças e jovens de quatro a 14 anos em sala de aula. Enquanto muitos municípios pensam e repensam estratégias para minimizar a evasão escolar, os números do município da Serra gaúcha são de fazer inveja: a taxa de escolarização de 6 a 14 anos chegou a 99,3%, conforme estatísticas de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Com o trabalho que estamos realizando, acreditamos que esse percentual já atingiu 100%”, argumenta o secretário.

E números não faltam para comprovar a eficiência no ensino da rede pública. Na avaliação 2015 do Ideb, a cidade tirou nota 7,7 nos anos iniciais, acima da meta estabelecida de 6,1. O desempenho colocou Picada Café na 2ª posição do ranking do Estado. Já os alunos dos anos finais garantiram nota 5,5, o que rendeu o 8º lugar na lista dos 497 municípios gaúchos.

Outro levantamento, também referente a 2015, reafirma a qualidade da educação. Conforme o Idese, elaborado pela Fundação de Economia e Estatística (FEE),  Picada Café registrou índice de 0,855, o que em palavras significa a melhor educação do Rio Grande do Sul. Resultado extraído de um conjunto de informações, como taxa de matrícula na educação infantil e ensino médio, notas dos alunos do ensino fundamental na Prova Brasil e percentual da população com ensino fundamental completo.

Laços fortes com a comunidade

Capoeira, danças, balé, inglês, teatro, trabalhos manuais (como crochê), violão, astronomia e patinação são apenas algumas das atividades no contraturno escolar. A implantação de oficinas, tanto de reforço escolar como de lazer, são decididas por pais e professores. “Os laços comunidade/escola são muito fortes. As famílias participam ativamente na construção da educação, opinando sobre a metodologia de ensino e contribuindo financeiramente para o aprimoramento das atividades que possam agregar conhecimento e fortalecer o convívio social e a formação cidadã dos filhos”, explica Marin.

Além de ajudar a manter os filhos em turno integral na escola, o Município também conta com o auxílio de empresas e dos pais para a gestão de duas creches infantis. “A fila de espera na educação infantil está zerada. Isso significa que as nossas crianças passam a integrar-se ao sistema educacional bem cedo.” Ainda segundo o secretário, nas escolas há o engajamento das equipes, desde a direção até quem dá o suporte. “Até o motorista de nossos ônibus é um agente de educação. Os números no Ideb e Idese são a tradução desse esforço coletivo”, complementa.

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