Publicado em 14.01.2019 às 09:17

Educação conectada à realidade

Considerada um avanço na história da educação brasileira, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) agrega aspectos sociais e econômicos ao conectar a escola aos dias atuais. Em construção desde 2016, e com implementação a partir deste ano, há uma “overdose” de otimismo sobre as transformações para a melhoria do sistema educacional. Propósito estimulado pelo Educação em 1º Lugar, projeto do Instituto São Leopoldo 2024 e Grupo Sinos lançado há exatamente um ano e que busca a coesão de 52 munícipios para fazer da região uma REFERÊNCIA EM EDUCAÇÃO até o final de 2024, ano do Bicentenário da Imigração Alemã.

“Muito mais do que métodos de ensino, serão trabalhados o conjunto de valores que formam os cidadãos, suas habilidades e a preparação para o mercado de trabalho”, afirma o presidente da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime RS), Marcelo Augusto Mallmann. Mesmo reconhecendo que o documento, por si só, não resolve todas as mazelas da área, Mallmann enfatiza que este é o primeiro passo para novas perspectivas.

DICOTOMIA - O começo de uma grande caminhada e da redução de abismos. Assim, Bruno Eizerik, presidente do Sindicato do Ensino Privado (Sinepe/RS), espelha os próximos anos. “Com a aprovação do Referencial Curricular Gaúcho, o aluno vai trabalhar os mesmos conteúdos. Esta unificação coloca um ponto na dicotomia público e privado, que não serve a ninguém. Temos que subir a régua, pois educação de qualidade é para todos”, afirma Eizerik, ao observar que 2019 é o ano da adaptação e 2020 é para valer.


ESCOLA DEVE TRABALHAR SUA VOCAÇÃO

Com a pretensão de mudar a estrutura da escola, a BNCC é vista como o pano de fundo, a fonte onde todos bebem. Assim como o Estado moldou o Referencial Curricular Gaúcho com a participação de Conselhos e profissionais da educação, “os municípios também vão anexar suas realidades locais aos projetos pedagógicos, que chegarão às salas de aula das escolas públicas e privadas”, segundo o presidente da Undime gaúcha.

Para o presidente do Sinepe/RS, a escola deve trabalhar sua vocação. “O diferencial pode ser a maneira de executar o currículo, o quanto de inovação oferece. Não podemos engessar a escola, que, mesmo com um currículo comum, tem que colocar sua pitada.” E dá um exemplo desta agregação de valor. Segundo ele, o Conselho Estadual de Educação está trabalhando a regulamentação das escolas bilíngues. “A escola privada terá de procurar a diferenciação e trabalhar com a qualidade que a caracteriza”, ressalta Eizerik.

Base não é produto pronto e acabado

Vale lembrar que a reta de chegada para uma educação de excelência depende de muitos passos à frente. Por não ser um produto pronto e acabado, as revisões a cada dois anos são justamente para as adaptações necessárias - atualmente, as redes de ensino estão reavaliando seus currículos e projetos políticos pedagógicos.

No médio ou longo prazo os reflexos virão. Diminuição da evasão escolar, redução da distorção série/idade, melhor avaliação no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) podem impactar nas estatísticas daqui alguns anos, configurando-se como um novo legado a ser deixado e que reforça a garantia do direito à aprendizagem, direito essencial e não mínimo.

A BNCC

  • A BNCC prevê os conteúdos mínimos que todos os alunos de escolas públicas ou privadas precisam aprender na educação básica. Ou seja, daeducação infantil ao ensino médio. 
  • A Base é uma referência para que cada escola — estadual, municipal ou privada — forme seu próprio currículo, de acordo com as características das redes de ensino locais.

Professor um guia da informação

Nos novos tempos programados para a educação, o professor é peça-chave para a transmutação do ensino. Antes fonte de saber, ele assume um novo papel. “O docente deixa de ser a pessoa que detinha o conhecimento para ser um guia. Ele vai ajudar o aluno a navegar, pois de nada adianta acesso a uma quantidade de informações e não saber trabalhar isso”, avisa o presidente Eizerik, acrescentando a quebra de outros paradigmas: “A aula deste ano não será mais a aula do ano que vem. Por isso, o foco do Congresso do Sinepe em 2019 será a figura do professor ”.

O presidente da Undime/RS ratifica que a BNCC muda a seta da educação. “A dinâmica pedagógica vai mudar: o professor deixa de ensinar conteúdo para investir no desenvolvimento de habilidades do aluno, preparando-o de uma forma adequada para enfrentar os problemas da vida e para o mercado de trabalho”, comenta Mallmann. Ou seja, neste processo, o aluno passa a ser protagonista e apto a enfrentar os desafios a partir de um olhar fixado nas 10 competências previstas na Base Nacional.

O sucesso da BNCC dependerá, em grande parte, dos professores, que precisarão de formação adequada e continuada. “Existem componentes curriculares específicos, por exemplo, nos quais é preciso que o docente se especialize para estar preparado para ensinar. É necessário garantir condições e valorização aos educadores”, alerta o presidente da Undime RS.