Publicado em 05.02.2018 às 10:32

Exemplos apontam rotas para mudar

Embora o quadro da educação se apresente abaixo do desejado, boas práticas educacionais mostram que é possível alcançar resultados mais favoráveis. Com a análise das diferentes situações e suas interações pretende-se a construção da eficiência do ensino e, consequentemente, alcançar as metas preconizadas pelo Ministério da Educação (MEC). Com esta expectativa de contribuir para indicadores satisfatórios, o projeto Educação em 1o Lugar, realizado pelo Instituto São Leopoldo 2024 e Grupo Sinos, quer destacar modelos pedagógicos de sucesso.


Para identificar os municípios líderes dos quatro Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes) que representam os 52 municípios do escopo da ação, foram definidos dois critérios. O primeiro é o “cumprimento das metas” do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2015 nas séries iniciais e finais. O segundo se refere à soma das duas avaliações para gerar o valor da comparação. Seguindo esta lógica, Campo Bom, Harmonia, Santa Maria do Herval e Nova Petrópolis estão no pódio de cada região, com médias que vão de 6 a 6,35.


ENGAJAMENTO - São experiências bem-sucedidas que poderão criar alternativas capazes de uma transformação em larga escala do acesso à educação de referência. Com um longo percurso – até o final de 2024 –, a evolução dependerá do engajamento da sociedade e de seus líderes locais. Deflagrado em janeiro deste ano, o Educação em 1o Lugar, que integra o Bicentenário da Imigração Alemã, pretende instigar a melhoria contínua da qualidade do ensino e resgatar a valorização dos professores.


Acesse:

www.isl2024.org.br

educacaoemprimeirolugar.com.br


Fabiano de Campos Silva / Secretrário de Educação de Harmonia


Educar para ter comprometimento


Com 100% de taxa de escolarização, o que rendeu a primeira posição entre 5.570 cidades do Brasil, o município de Harmonia também está no topo da média dos anos iniciais e finais, com 6,35. Resultado de um trabalho para despertar nos estudantes a humanização e o crescimento em grupo, e que se soma à qualificação do corpo docente. “A escola é conectada com a realidade, formando cidadãos comprometidos com suas comunidades”, afirma o secretário de Educação, Fabiano de Campos Silva. Com quase 1.000 alunos da educação infantil ao ensino médio, não são poupados esforços para integrar a comunidade escolar. “Todos os alunos das redes municipal e estadual têm acompanhamento nutricional, odontológico e psicológico”, explica Silva. E projetos não faltam para estimular o vivenciar em grupo. Música, dança, capoeira, artesanato, informática e inglês são algumas das atividades que fazem parte da rotina de 120 alunos, do 1o ao 5o ano. “Queremos estender estes projetos.”


Elísio Adalberto Blume / Secretário de Educação e Cultura de Santa Maria do Herval

        
Desempenho depende de envolvimento


Falar sobre a educação exige a menção de vários aspectos. Baixa rotatividade dos professores, participação das famílias na vida escolar e o trabalho das equipes diretivas, que primam pela qualidade na gestão administrativa e pedagógica. Com uma média geral de 6,25, o resultado não poderia ser outro no município de Santa Maria do Herval: alunos que gostam de ir à escola e têm ótimo desempenho. Tudo começa pela educação infantil, um trabalho sério que beneficia os alunos mais tarde no ensino fundamental. Nesta busca de qualidade, vários projetos estão em andamento. Um deles é o Além da Sala de Aula, voltado a alunos do 1o ao 5o ano do ensino fundamental e que será expandido ao 6o e 7o ano. Atividades recreativas e de reforço escolar também fazem a diferença nas escolas. Nesta linha de estímulos, a leitura estará no alvo de 300 alunos da educação infantil, 500 do ensino fundamental e 160 do ensino médio em 2018.


Simone Daise Schneider / Secretária Municipal de Educação e Cultura de Campo Bom


Projetos com visão empreendedora


Das 20 Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEFs) em Campo Bom, 14 têm atividades esportivas, culturais e pedagógicas no contraturno e 6 são em turno integral. Este é apenas um dos diferenciais. O município, com média de 6,25, está preocupado com o amanhã, com o mercado de trabalho. Pensando nisso, criou projetos inovadores e que trabalham o empreendedorismo. Exemplo é o De Olho no Futuro, que contempla alunos de 6o ao 9o ano. “Em parceria com o Sebrae, Senai, Feevale e Sindicato dos Sapateiros, os alunos fazem oficinas, workshops e visitas técnicas”, conta a secretária de Educação e Cultura, Simone Daise Schneider. Se a qualificação é a chave, antes desta abertura de portas alguns precisam eliminar as dificuldades de aprendizagem. Lacuna preenchida com o Despertar, projeto que complementa o processo de leitura e de escrita do 4o ao 7o ano. Outras ações são as aulas de inglês no currículo escolar do 1o ao 5o ano e para o 9o ano no contraturno escolar. A rede municipal de Campo Bom tem 43 escolas, 6 Centros Educacionais, totalizando 9.279 alunos.


Ricardo Lawrenz / Secretário de Educação, Cultura e Desporto de Nova Petrópolis


Aluno precisa ser desafiado em aula


Em Nova Petrópolis, o crescimento e o avanço qualitativo na educação ganham força porque os trabalhos são compartilhados entre as diversas redes de ensino, uma vez que todos têm direito a uma boa educação. Na rede municipal, a formação é pautada no olhar sobre quais inovações são necessárias para atender o aluno de hoje. Entre as atividades estão o Autor na Escola, Escritores do Amanhã, Salão de Artes Plásticas, Prefeito por Um Dia, Festival de Música, Polos Esportivos. “Neste ano, iremos para o IV Seminário Nossas Aprendizagens: Escola e Pesquisa – Um Encontro Possível, projeto vinculado à rede internacional Nepso (Nossa Escola Pesquisa sua Opinião) e que permitiu intercâmbio com Portugal no ano passado”, relata Ricardo Lawrenz, secretário de Educação, Cultura e Desporto de Nova Petrópolis. Com o foco de desafiar o aluno em sala de aula, empreendedorismo, design, tecnologias digitais, pensamento computacional e inclusão serão prioridades em 2018. Com mais de 4 mil alunos, Nova Petrópolis registra média 6 na soma anos iniciais e finais.

Publicado em 22.01.2018 às 11:51

Educação deve ser base da pirâmide

Por que o Brasil está entre os países com os piores indicadores em educação? Há como reverter o baixo desempenho dos alunos? Quais os motivos para o crescimento do analfabetismo funcional? A qualificação do ensino básico ao superior e a valorização dos professores é uma combinação que justifica boa parte das preocupações com os rumos da educação. Na extensa lista de questionamentos não há como apontar um único culpado até porque o sistema educacional é complexo e depende do envolvimento de todos. O certo é que os desafios para recolocar a educação na base da pirâmide do desenvolvimento do País só serão vencidos com o engajamento da sociedade e dos governos. Provocação lançada pelo Instituto São Leopoldo 2024 e o Grupo Sinos com a ação Educação em 1o Lugar, que integra o Programa Bicentenário da Imigração Alemã.

Helenise Ávila Juchen
Coordenadora da 2ª CRE São Leopoldo


Tempo integral sinaliza mudanças

Alunos fora da sala de aula, muitos professores sem formação completa e desigualdade social. Conjugação de fatores que reflete no baixo desempenho dos alunos e compromete as chances de um profissional autônomo e competente no futuro. Manter o aluno na escola e fazer com que ele saia qualificado são desafios para as 168 escolas de 38 municípios sob a responsabilidade da 2a CRE. Uma das soluções, que entra em vigor neste ano letivo, é a oferta de ensino médio em tempo integral em três escolas – Campo Bom, Montenegro e Sapiranga. Precisamos eficiência e o projeto Educação em 1o Lugar é louvável ao propor abordagens para boas práticas pedagógicas.

Seno Leonhardt
Sinepe-RS

Iniciativa é para provocar reflexões

Mesmo propalada em discursos como base importante para o desenvolvimento de um País, a educação ocupa um espaço secundário no Brasil. A pergunta que precisamos fazer é que tipo de mudanças os governos desejam fazer e se estas mudanças interessam? É preciso recuperar a valorização da educação (difundida pelos imigrantes) e o reconhecimento de seus profissionais pela sociedade. A ação Educação em 1o Lugar, uma iniciativa desafiadora, surge para desacomodar e provocar reflexões na sociedade e em todas as esferas, trazendo benefícios imensuráveis para a região. Viveremos um novo tempo.

Maristela Guasselli
Presidente Undime Vale do Sinos e representante do RS Undime Nacional


Descentralização desafia dirigentes

O movimento de descentralização de responsabilidades desafia os dirigentes municipais de educação, uma vez que não há o equilíbrio valorização, legislação e orçamento. É sabida a escassez de recursos financeiros no País e no Estado, mas o atendimento da educação infantil, com um custo três vezes maior que o ensino fundamental veio por determinação, sem debates. Não basta erguer paredes de escolas Pró-Infância, sem pensar no restante da estrutura. A educação clama por mais financiamento e precisa ser vista como prioridade de fato, ter professores qualificados e credibilidade da sociedade. Esta ação será determinante
para lançarmos novos olhares à educação.

Leandro Karnal
Historiador e professor


Educar é preparar um horizonte

Como descendente de imigrantes digo que os municípios precisam fazer com que a educação, semelhante a uma fênix, renasça das cinzas e passem a educar com a consciência de quem prepara um horizonte. Podemos cortar verbas em tudo, menos a verba do futuro, que se chama educação. Se cortarmos a verba do amanhã o resultado será um só: pessoas mal preparadas e sem horizontes. Cabe aos professores, profissionais fundamentais, a construção deste futuro. Por isso não podemos ter escola média, mas ótima, porque a escola é energia criadora que rompe os nós que impedem qualquer progresso.

Chamamento para provocar e apontar caminhos para ser referência


Como falar em educação sem fazer a conexão passado, presente e futuro. Se o principal legado dos imigrantes foi a valorização da educação e de seus profissionais – exemplo seguido pelos países desenvolvidos que embasaram o seu desenvolvimento na qualidade da educação e, hoje, colhem os frutos desta decisão estratégica – a linha do tempo em construção aponta que caminho idêntico pode ser trilhado para a busca da referência em educação. Chamamento feito pela ação Educação em 1o Lugar junto aos 2.328.625 habitantes de 52 municípios que compõem os quatro Conselhos Regionais de Desenvolvimento da Região Sul – Coredes. O objetivo é atingir e superar as metas fixadas pelo Ministério da Educação (MEC) até 2024, ano em que se celebra os 200 anos da Imigração Alemã no Brasil.