Publicado em 09.10.2018 às 09:59

Pesquisa encanta o conhecimento

Gustavo Freitas, Edson Pereira e Jéferson Adriano da Costa desenvolveram o projeto Furadeira de Circuito Impresso CNC que foi o ponto de partida para a fundação da Tecnodrill, empresa de automação de Novo Hamburgo. Premiado com o 1º lugar em feira nos EUA, CristianoKrug, hoje professor de Física na Ufrgs comandou as pesquisas e desenvolvimento daCeitec S/A. Estes são alguns nomes entre milhares de alunos que apresentaram projetos emblemáticos nas edições da Mostratec e que reforçam a importância da pesquisa como ferramenta da educação. “Dificilmente, o autor de pesquisas não terá encantamento pelo conhecimento. Esta relação fica estabelecida e gera um ciclo virtuoso”, afirma André Luís Viegas, coordenador da Mostratec Júnior.


Voltada unicamente ao ensino médio e técnico até 2010, a Fundação Liberato abriu campo para os anos iniciais e finais ao criar a Mostratec Júnior. E os resultados surpreenderam a cada ano, numa sequência vertiginosa de crescimento. Dos 12 projetos inscritos do ensino fundamental em 2011, a edição 2018 contará com 263. E a educação infantil saltou de 32, em 2015 (ano em que foi incluída no processo de seleção), para 72 neste ano. “Teremos 335 projetos, 70% são da rede pública. Este volume representa 53% a mais de participantes de uma Mostratec há dez anos – em 2008 foram 219 projetos”, observa Viegas.


Para ele, a pesquisa deve ser trabalhada em todos os níveis de ensino, pois, ao movimentar o aluno, dá a oportunidade para que ele seja protagonista, o autor de descobertas e de sua cidadania. Sem falar que provoca um efeito inspirador, ao chamar atenção e ser modelo para outros estudantes. Ao mesmo tempo motiva o compartilhamento do saber e do aprender com o professor, uma experimentação dupla.


53 feiras em 35 municípios


A decisão assertiva de fomentar a pesquisa desde cedo foi replicada para os municípios como um novo olhar de proposta pedagógica. A Mostratec Júnior foi responsável por um gigantesco fenômeno, ao desencadear uma proliferação de mostras científicas e tecnológicas nos municípios. “Hoje, há 53 feiras em 35 cidades gaúchas. Projetos com diferentes realidades – seja da zona urbana ou rural – que são selecionados para exposição em nossa feira”, explica o coordenador.

Um processo e não a solução

Apesar de todas as expectativas criadas para a apresentação dos projetos na feira, Viegas atribui a grande carga de importância ao pré-feira. “A Mostratec Júnior é a porta de entrada de disseminação de metodologias ativas. O trabalho de desenvolvimento do conhecimento deve ser visto como um processo pelos gestores de educação e professores. Pesquisa não é algo automático, algo que se sabe onde vai chegar, Portanto, não significa encontrar a solução.”


Para Viegas, o ponto principal é o que a pesquisa desencadeia: linguagem científica, escrita e hipóteses. “O papel do professor muda de transmissor de conteúdo para orientador. Devem buscar e pesquisar juntos, do contato com a realidade, o olhar ao redor à organização da pesquisa”, argumenta, lembrando que alunos que participam desse processo acabam ficando acima da média. Desta forma, na competição educativa o melhor projeto deixa de ser o produto final para ganhar forma no que gerou maior aprendizado.




Publicado em 24.09.2018 às 09:37

Educação pede olhares individualizados

Os números da educação brasileira se tornaram um grande desafio. A última avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) sinaliza a urgência de mudanças. Porém o levantamento do desempenho escolar não pode ser olhado genericamente, mas de forma mais individualizada e considerando os diversos fatores que pesam neste resultado. Condições pedagógicas, sociais e de infraestrutura das escolas, pouco envolvimento das famílias, que transferem responsabilidades, qualificação e valorização dos professores, e políticas educacionais são alguns pontos que merecem um diagnóstico mais amplo. A busca de uma imagem real da situação para uma melhoria contínua no ensino é o objetivo do Educação em 1o Lugar, projeto do Instituto São Leopoldo 2024 e Grupo Sinos com alcance nos 52 municípios dos Coredes Rio dos Sinos, Rio Caí, Paranhana/Encosta da Serra e Região das Hortênsias, mais Cachoeirinha e Gravataí. Análises e inferências que ganham a voz da Faccat, Feevale e Unisinos, instituições formadoras de docentes do ensino fundamental e médio da região.

Baixa demanda na licenciatura

Ver os alunos aprendendo é o quemaismotiva os professores a continuarem na carreira do magistério, mas preocupa a queda acentuada nos cursos de licenciatura. Fato constatado pelas três instituições. Mesmo com incentivos para a formação de professores, como descontos que podem ir de 40% a 70% no valor da mensalidade, o interesse vem reduzindo nos últimos anos.

Abaixa demanda por graduação esbarra na crise econômica, diminuição de políticas de incentivo à formação de professores por parte do Poder Público, como existia há alguns anos. Sem falar no discurso social de desvalorização da carreira docente que precisa ser superado. Dados do “Educação para o BrasilAvançar”, documento emitido emmaio de 2018 peloMEC, revelamque quase 50% dos docentes não tem formação nas áreas de atuação de Língua Portuguesa e Matemática.