Publicado em 09.04.2018 às 10:11

A mudança na educação depende de todos nós

Tecnologia e educação são duas palavras que combinam e deveriam avançar no mesmo ritmo. No entanto, esta afinidade vem perdendo força ano a ano, situação confirmada pelo Ministério da Educação. A discrepância ainda é maior nas séries finais e retrata uma realidade longe da ideal: jovens deixando as escolas mal sabendo ler, interpretar ou escrever um texto coeso. A mudança deste cenário exige um esforço conjunto da sociedade, premissa defendida pelo Educação em 1o Lugar. O projeto, lançado e abraçado pelo Instituto São Leopoldo 2024 e Grupo Sinos, pretende provocar reflexões sobre a necessária e urgente prioridade na melhoria dos indicadores escolares.


“Sabemos que a educação é um ecossistema complexo. Mas daqui a seis anos, quando será comemorado o bicentenário da imigração alemã, queremos dizer com orgulho que os 52 municípios - pertencentes aos Coredes Rio dos Sinos, Rio Caí, Paranhana/Encosta da Serra e Região das Hortênsias, mais os municípios de Cachoeirinha e Gravataí – que originariamente abrigaram os primeiros imigrantes alemães –, se tornaram referência nacional e internacional em educação”, avisa o presidente do ISL 2024, Sérgio Gilberto Dienstmann.


                                                                

                                                      Dienstemann: “Qual é o futuro que queremos?”


CONSCIENTIZAÇÃO


Além de melhorar as políticas públicas, resultados educacionais positivos exigem engajamento. “Temos que conscientizar os governos municipais, entidades, pais, alunos, professores e comunidades. Precisamos nos unir e trabalhar fortemente. Só assim atingiremos o objetivo proposto de melhoria contínua do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica)”, diz Dienstemann.


Nos dados referentes a 2015, dos 52 municípios avaliados 13 ficaram abaixo da meta do Ministério de Educação e outros 8 não tiveram avaliação nos anos iniciais. Já nas séries finais, 33 não alcançaram a nota e 12 ficaram sem média. Para ele, o resultado do Ideb 2017, que deve ser divulgado em breve, é muito preocupante após as constatações do levantamento 2015. “O sinal amarelo na educação está ligado. E 2021, quando haverá nova publicação das médias alcançadas, já está aí. Isso significa que temos apenas quatro anos para promover as mudanças necessárias”, argumenta.


E vai mais longe: “Qual é o futuro que queremos? Que respostas os municípios e a sociedade podem dar a este questionamento?” O projeto Educação em 1o Lugar se estenderá até 2024. A ação, inédita na região, vai trazer desafios às comunidades, em todas suas áreas de desempenho, igualmente revelando oportunidades e potenciais inerentes a cada cidade.


Mapa do conhecimento revela grau de dificuldades


O grau das dificuldades na educação brasileira pode ser diagnosticado na série histórica do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e que mapeia o conhecimento em Matemática, Leitura e Ciências em mais de 70 países. Tanto em 2000, 2012 e 2015, o Brasil ficou aquém das nações desenvolvidas e atrás de inúmeros países da América Latina.


“O desempenho de mais de 50% dos estudantes brasileiros nestas três disciplinas podem ser considerados como de ‘analfabetos funcionais’. Ou seja, sabem ler e escrever, mas têm dificuldades de explicar o que leram ou de escrever um texto claro, com começo meio e fim. É um quadro assustador”, aponta o presidente do ISL 2024, acrescentando que a Leitura é o calcanhar de Aquiles na educação brasileira. “O País ficou abaixo do nível 2, considerado o adequado pela OCDE para exercer a cidadania!, relata. Sem falar que há recuo nas médias de todas as três áreas analisadas (veja quadro).


O que os dados do PISA revelam




CHAMAMENTO ÀS COMUNIDADES


Mais do que conscientizar as comunidades, o projeto Educação em 1o Lugar reserva um território para a atuação de Grupos de Voluntários, reconhecidos por portaria do Executivo Municipal. Formado por cinco representantes da sociedade, o grupo terá a responsabilidade de apoiar a educação na luta pela melhoria dos índices da educação do seu município, do Estado e do País. “Muitos municípios, que aderiram ao projeto, já estão formando os grupos de voluntários. A ideia é a diversificação, a pluralidade de pensamentos, o que resultará em novas ações e olhares visando à qualidade do ensino”, afirma o presidente do ISL 2024. Para nortear este trabalho voluntariado foram estabelecidas algumas diretrizes, conforme abaixo:


1 - Pesquisar o que for realizado aqui e no exterior, criando “massa crítica e criativa” local na análise e possíveis encaminhamentos aos responsáveis pela melhoria constante da educação.

2 - Manter “continuidade” de ações pelo período proposto (2018 - 2024), independente das possíveis alterações administrativas e políticas, por meio de reuniões periódicas.

3 - Nominar, junto aos responsáveis das escolas municipais, estaduais e particulares, duas pessoas de cada área para servirem de interlocutores nas avaliações, reuniões e atividades que serão desenvolvidas, evitando-se conflitos e respeitando as atividades já realizadas e comprometidas pelos mesmos.

4 - Estimular a troca espontânea ou programada de experiências entre os municípios de cada Corede sem a necessidade de centralizações. O objetivo é a busca das melhores práticas.

5 - Divulgar a página Educação em 1o Lugar, veiculada pelos jornais e plataformas digitais do Grupo Sinos, para conhecimento geral. Informações consideradas relevantes e devidamente assinadas pelo autor, desde que pertencente ao Grupo de Voluntários, também serão utilizadas nas publicações do projeto.


Acesse:

www.educacaoem1lugar.com.br

www.isl2024.org.br

www.brasilalemanha.com.br

Publicado em 05.03.2018 às 08:07

Educação precisa de atenção geral

Quantas vezes já foi dito que a educação brasileira não anda nada bem? Que os desafios são imensos e que há muito a superar? O assunto é recorrente e, com razão, preocupa. As avaliações do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) são o espelho da situação da educação em nossa região. Dos 52 municípios elencados como zonas de atenção do projeto Educação em 1o Lugar, iniciativa do Instituto São Leopoldo 2024 e Grupo Sinos, há um déficit nas médias das séries iniciais e finais (Veja quadro ao lado).

Conforme o apontamento divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), apenas quatro municípios, pertencentes aos quatro Coredes, obtiveram notas acima de 7 nas séries iniciais: Picada Café (7,7), Morro Reuter (7,3) Santa Maria do Herval (7,2) e Harmonia (7,1). Outros 27 cumpriram a meta parcial estipulada pelo MEC, 13 não atingiram e 8 não foram avaliados.

Considerado um ponto nevrálgico no sistema educacional, o desempenho nas séries finais ficou acima da nota 5 em Campo Bom e Santa Maria do Herval (5,8), Harmonia e Ivoti, com 5,6. Outros 7 alcançaram a meta parcial do MEC, 29 não atingiram e 12 não foram avaliados.

“Pelo exposto acima a situação é grave e exige a tomada de decisões por parte dos governos municipais na construção de ações com prazos determinados para se melhorar os indicadores. Ao mesmo tempo se faz necessário conscientizar e empoderar a população sobre o assunto”, afirma Sérgio Dienstmann, presidente do Instituto São Leopoldo 2024.


SAIBA MAIS

De acordo com o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), os anos iniciais do Ensino Fundamental devem atingir um Ideb igual a 6,0 ATÉ 2021, sendo que essa meta desdobrase de maneiras diferentes para as redes pública e privada.

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